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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

HISTORIA DA IGREJA


A IGREJA PRIMITIVA

A palavra igreja vem do grego ekklesia, que tem origem em kaleo ("chamo ou convosco"). Na literatura secular, ekklesia referia-se a uma assembléia de pessoas, mas no Novo Testamento (NT) a palavra tem sentido mais especializado. A literatura secular podia usar a apalavra ekklesia para denotar um levante, um comício, uma orgia ou uma reunião para qualquer outra finalidade. Mas o NT emprega ekklesia com referência à reunião de crentes cristãos para adorar a Cristo.
Que é a igreja? Que pessoas constituem esta "reunião"? Que é que Paulo pretende dizer quando chama a igreja de "corpo de Cristo"?
Para responder plenamente a essas perguntas, precisamos entender o contexto social e histórico da igreja do NT. A igreja  primitiva surgiu no cruzamento das culturas hebraicas e helenística.

Fundada a Igreja
Quarenta dias depois de sua ressurreição, Jesus deu instruções finais aos discípulos e ascendeu ao céu (At 1.1-11). Os discípulos voltaram a Jerusalém e se recolheram durante alguns dias para jejum e oração, aguardando o ES, o qual Jesus disse que viria. Cerca de 120 pessoas seguidores de Jesus aguardavam.
Cinqüenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecoste, um som como um vento impetuoso encheu a casa onde o grupo se reunia. Línguas de fogo pousaram sobre cada um deles e começaram a falar em línguas diferente da sua conforme o Espírito Santo os capacitava. Os visitantes estrangeiros ficaram surpresos ao ouvir os discípulo falando em suas próprias línguas. Alguns zombaram, dizendo que deviam estar embriagados (At 2.13).
Mas Pedro fez calar a multidão e explicou que estavam dando testemunho do derramamento do Espírito Santo predito pelos profetas do Antigo Testamento (AT) (At 2.16-21; Jl 2.28-32). Alguns dos observadores estrangeiros perguntaram o que deviam fazer para receber o Espírito Santo. Pedro disse: " Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo " (At 2.38). Cerca de 3 mil pessoas aceitaram a Cristo como seu Salvador naquele dia (Atos 2.41).
Durante alguns anos Jerusalém foi o centro da igreja. Muitos judeus acreditavam que os seguidores de Jesus eram apenas outra seita do judaísmo. Suspeitavam que os cristãos estavam tentando começar um nova "religião de mistério" em torno  de Jesus de Nazaré.
É verdade que muitos dos cristãos primitivos continuaram a cultuar no templo (At 3.1) e alguns insistiam em que os convertidos gentios deviam ser circuncidados (At 15). Mas os dirigentes judeus logo perceberam que os cristãos eram mais do que uma seita. Jesus havia dito aos judeus que Deus faria uma Nova Aliança com aqueles que lhe fossem fiéis (Mt 16.18);  ele havia selado esta aliança com seu próprio sangue (Lc 22.20). De modo que os cristãos primitivos proclamavam com ousadia haverem herdados os privilégios  que Israel conhecera outrora. Não eram simplesmente uma parte de Israel - eram o novo Israel (Ap 3.12; 21.2; Mt 26.28; Hb 8.8; 9.15). "Os líderes judeus tinham um medo de arrepiar, porque este novo e estranho ensino não era um judaísmo estreito, mas fundia o privilégio de Israel na alta revelação de um só Pai de todos os homens." (Henry Melvill Gwatkin, Early Church History,  pag 18).

a) A Comunidade de Jerusalém.Os primeiros cristãos formavam uma comunidade estreitamente unida em Jerusalém após o dia de Pentecoste. Esperavam que Cristo voltasse muito em breve.
Os cristãos de Jerusalém repartiam todos os seus bens materiais (At 2.44-45). Muitos vendiam suas propriedades e davam à igreja o produto da venda, a qual distribuía esses recursos entre o grupo ( At  4.34-35).
Os cristãos de Jerusalém ainda iam ao templo para orar (At 2.46), mas começaram a partilhar  a Ceia do Senhor em seus próprios lares (At 2.42-46). Esta refeição simbólica trazia-lhes à mente sua nova aliança com Deus, a qual Jesus havia feito sacrificando seu próprio corpo e sangue.
Deus operava milagres de cura por intermédio desses primeiros cristãos. Pessoas enfermas reuniam-se no templo de sorte que os apóstolo pudessem tocá-las em seu caminho para a oração (At 5.12-16). Esses milagres convenceram muitos de que os cristãos estavam verdadeiramente servindo a Deus. As autoridades do templo, num esforço por suprimir o interesse das pessoas na nova religião, prenderam os apóstolos. Mas Deus enviou um anjo para libertá-los (At 5.17-20),  o que provocou mais excitação.
A igreja crescia com tanta rapidez que os apóstolos tiveram de nomear sete homens para distribuir víveres às viúvas necessitadas. O dirigente desses homens era Estevão, "homem cheio de fé e do  Espírito Santo" (At 6.5). Aqui vemos o começo do governo eclesiástico. Os apóstolos tiveram de delegar alguns de seus deveres a outros dirigentes. À medida que o tempo passava, os ofícios da igreja foram dispostos numa estrutura um tanto complexa.

b) O Assassínio de Estevão.Certo dia um grupo de judeus apoderou-se de Estevão e, acusando-o de blasfêmia, o levou à presença do conselho do sumo sacerdote. Estevão fez uma eloqüente defesa da fé cristã, explicando como Jesus cumpriu as antigas profecias referentes ao Messias que libertaria seu povo da escravidão do pecado. Ele denunciou os judeus como "traidores e assassinos" do filho de Deus (At 7.52). Erguendo os olhos para o céu, ele exclamou que via a Jesus em pé à destra de Deus ( At 7.55). Isso enfureceu os judeus, que o levaram para fora da cidade e o apedrejaram (At 7.58-60).
Esse fato deu início a uma onde de perseguição que levou muitos cristãos a abandonarem Jerusalém (At 8.1). Alguns desses cristãos estabeleceram-se entre os gentios de Samaria, onde fizeram muitos convertidos (At 8.5-8). Estabeleceram congregações em diversas cidades gentias, como Antioquia da Síria. A princípio os cristãos hesitavam em receber os gentios na igreja, porque eles viam a igreja como um cumprimento da profecia judaica. Não obstante, Cristo havia instruído seus seguidores a fazer "discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28.19). Assim, a conversão dos gentios foi "tão-somente o cumprimento da comissão do Senhor, e o resultado natural de tudo o que havia acontecido..." (Gwatkin,Early Church History, p. 56). Por conseguinte, o assassínio de Estevão deu início a uma era de rápida expansão da igreja.

c) Atividades Missionárias.Cristo havia estabelecido sua igreja na encruzilhada do mundo antigo. As rotas comerciais traziam mercadores e embaixadores através da Palestina, onde eles entravam em contato com o evangelho. Dessa maneira, no livro de Atos vemos a conversão de oficiais de Roma (At 10.1-48), da Etiópia ( At 8.26-40), e de outras terras.
Logo depois da morte de Estevão, a igreja deu início a uma atividade sistemática para levar o evangelho a outras nações. Pedro visitou as principais cidades da Palestina, pregando tanto a judeus como aos gentios. Outros foram para a Fenícia, Chipre e Antioquia da Síria. Ouvindo que o evangelho era bem recebido nessas regiões, a igreja de Jerusalém enviou a Barnabé para incentivar os novos cristãos em Antioquia (At 11.22-23). Barnabé, a seguir, foi para Tarso em busca do jovem convertido Saulo (Paulo) e o levou para a Antioquia, onde ensinaram na igreja durante um ano (At 11.26).
Um profeta por nome Ágabo predisse que o Império Romano sofreria uma grande fome sob o governo do Imperador Cláudio. Herodes Agripa estava perseguindo a igreja em Jerusalém; Ele já havia executado a Tiago, irmão de João, e tinha lançado Pedro na prisão (At 12.1-4). Assim os cristãos de Antioquia coletaram dinheiro para enviar a seus amigos em Jerusalém, e despacharam Barnabé e Paulo com o socorro. Os dois voltaram de Jerusalém levando um jovem chamado João Marcos (At 12.25). Por esta ocasião, diversos evangelistas haviam surgido no seio da igreja de Antioquia, de modo que a congregação enviou Barnabé e Paulo numa viagem missionária à Ásia Menor (At 13-14). Esta foi a primeira de três grandes viagens missionárias que Paulo  fez para levar o evangelho aos recantos longínquos do Império Romano.
Os primeiros missionários cristãos concentraram seus ensinos na Pessoa e obra de Jesus Cristo. Declararam que ele era o servo impecável e Filho de Deus que havia dado sua vida para expiar os pecados de todas as pessoas que depositavam sua confiança nele (Rm 5.8-10). Ele era aquele a quem Deus ressuscitou dos mortos para derrotar o poder do pecado (Rm 4.24-25; 1Co 15.17).

d) Governo Eclesiástico.A princípio, os seguidores de Jesus não viram a necessidade de desenvolver um sistema de governo da Igreja. Esperavam que Cristo voltasse em breve, por isso tratavam os problemas internos à medida  que surgiam - geralmente de um modo muito informal.
Mas o tempo em que Paulo escreveu suas cartas às igrejas, os cristãos reconheciam a necessidade de organizar o seu trabalho. O NT não nos dá um quadro pormenorizado deste governo da igreja primitiva. Evidentemente, um ou mais presbíteros presidiam os negócios de cada congregação (Rm 12.6-8; 1Ts 5.12; Hb 13.7,17,24), exatamente como os anciãos faziam nas sinagogas judaicas. Esses anciãos (ou presbíteros) eram escolhidos pelo Espírito Santo (At 20.28), mas os apóstolos os nomeavam (At 14.23). Por conseguinte, o Espírito Santo trabalhava por meio dos apóstolos ordenando líderes pra o ministério. Alguns  ministros chamados  evangelistas parecem ter viajado de uma congregação para outra, como faziam os apóstolos. Seu título significa "homens que manuseiam o evangelho". Alguns têm achado que eram todos representantes pessoais dos apóstolos, como Timóteo o foi de Paulo; outros supõem que obtiveram esse nome por manifestarem  um dom especial de evangelização. Os anciãos assumiam os deveres pastorais normais entre as visitas desses evangelistas.
Algumas cartas do NT referem-se a bispos na igreja primitiva. Isto é um bocado confuso, visto que esses "bispos" não formavam uma ordem superior da liderança eclesiástica como ocorre em algumas igrejas onde o título é usado hoje. Paulo lembrou aos presbíteros de Éfeso que eles eram bispos (At 20.28), e parece que ele usa os termos presbítero e bispo intercambiavelmente (Tt 1.5-9). Tanto os bispos como os presbíteros estavam encarregados de supervisar uma congregação. Evidentemente, ambos os termos se referem aos mesmos ministros  da igreja primitiva, a saber, os presbíteros.
Paulo e os demais apóstolos reconheceram que o ES concedia habilidades especiais de liderança a certas pessoas (1Co 12.28). Assim, quando conferiam um título oficial a um irmão ou irmã em Cristo, estavam confirmando o que o Espírito Santo já havia feito.
A igreja primitiva não possuía um centro terrenal de poder. Os cristãos entendiam que Cristo era o centro de todos os seus poderes (At 20.28). O ministério significava servir em humildade, em vez de governar de uma posição elevada (Mt 20.26-28). Ao tempo em que Paulo escreveu suas epístolas pastorais, os cristãos reconheciam a importância de preservar  os ensinos de Cristo por intermédio de ministros que se devotavam a estudo especial, "que maneja bem a palavra da verdade"  (2Tm 2.15). A igreja primitiva não oferecia poderes mágicos, por meio de rituais ou de qualquer outro modo. Os cristãos convidavam os incrédulos para fazer parte de seu grupo, o corpo de Cristo  (Ef 1.23),  que seria salvo como um todo. Os apóstolos e os evangelistas proclamavam que Cristo voltaria para o seu povo, a "noiva" de Cristo (Ap 21.2; 22.17). Negavam que indivíduos pudessem obter poderes especiais de Cristo para seus próprios fins egoístas (At 8.9-24; 13.7-12).

e) Padrões de Adoração.
Visto que os cristãos primitivos adoravam juntos, estabeleceram padrões de adoração que diferiam muito dos cultos da sinagoga. Não temos um quadro claro da adoração Cristã primitiva até 150 dC, quando Justino Mártir descreveu os cultos típicos de adoração. Sabemos que a igreja primitiva realizava seus serviços no domingo, o primeiro dia sa semana. Chamavam-no de "o Dia do Senhor" porque foi o dia em que Cristo ressurgiu dos mortos. Os primeiros cristãos reuniam-se no templo em Jerusalém, nas sinagogas, ou nos lares ( At 2.46; 13.14-16; 20.7-8). Alguns estudiosos crêem que a referência aos ensino de Paulo na escola de Tirano (At 19.9) indica que os primitivos cristãos às vezes alugavam prédios de escola ou outras instalações. Não temos prova alguma de que os cristãos tenham construído instalações especial para seus cultos de adoração durante mais de um século após o tempo de Cristo. Onde os cristãos eram perseguidos, reuniam-se em lugares secretos como as catacumbas (túmulos subterrâneos) de Roma.
Crêem os eruditos que os primeiros cristãos adoravam nas noites de domingo, e que seu culto girava em torno da Ceia do Senhor. Mas nalgum  ponto os cristãos começavam a manter dois cultos de adoração no domingo, conforme descreve Justino Mártir - um bem cedo de manhã e outro ao entardecer. As horas eram escolhidas por questão de segredo e para atender às pessoas trabalhadoras que não podiam comparecer aos cultos de adoração durante o dia.

- Ordem do Culto: Geralmente o culto matutino era uma ocasião de louvor, oração e pregação. O serviço improvisado de adoração dos cristãos no Dia de Pentecoste sugere um padrão de adoração que podia ter sido geralmente adotado. Primeiro, Pedro leu as Escrituras. Depois pregou um sermão que aplicou as Escrituras à situação presente dos adoradores (At 2.14-36). As pessoas que aceitavam a Cristo eram batizadas, seguindo o exemplo do próprio Senhor.  Os adoradores participavam dos cânticos, dos testemunhos ou de palavras de exortação        (1Co 14.26).

- A Ceia do Senhor: Os primitivos cristãos tomavam a refeição simbólica da Ceia do Senhor para  comemorar a Última Ceia, na qual Jesus e seus discípulos observaram a tradicional festa judaica da Páscoa. Os temas dos dois eventos eram os mesmo. Na Páscoa os judeus regozijavam-se porque Deus os havia libertado de seus inimigos e aguardavam com expectação o futuro como filhos de Deus. Na  Ceia do Senhor, os cristãos celebravam o modo como Jesus os havia libertado do pecado e expressavam sua esperança pelo dia quando Cristo voltaria   (1Co 11.26).  A princípio, a Ceia do Senhor era uma refeição completa que os cristãos partilhavam em suas casas. Cada convidado trazia um prato para a mesa comum. A refeição começava  com oração e com o comer de pedacinhos de um único pão que representava o corpo partido de Cristo. Encerrava-se a refeição com outra oração e a seguir participavam de uma taça de vinho, que representava o sangue vertido de Cristo.
Algumas pessoas conjeturavam que os cristãos estavam participando de um rito secreto quando observavam a Ceia do Senhor, e inventaram estranhas histórias a respeito desses cultos. O imperador Trajano proscreveu essas reuniões secretas por volta do ano 100 dC. Nesse tempo os cristãos começaram a observar a Ceia do Senhor durante o culto matutino de adoração, aberto ao público.

- Batismo: O batismo era um acontecimento comum da adoração cristã no templo de Paulo  (Ef 4.5). Contudo, os cristãos não foram os primeiros a celebrar o batismo. Os judeus batizavam seus convertidos gentios; algumas seitas judaicas praticavam o batismo como símbolo de purificação, e João Batista fez dele uma importante parte de seu ministério. O NT não diz se Jesus batizava regularmente seus convertidos, mas numa ocasião, pelo menos, antes da prisão de João, ele foi encontrado batizando. Em todo o caso, os primitivos cristãos eram batizados em nome de Jesus, seguindo o seu próprio exemplo (Mc 1.10; Gl 3.27).
Parece que os primitivos cristãos interpretavam o significado do batismo de vários modos - como símbolo da morte de uma pessoa para o pecado (Rm 6.4; Gl 2.12), da purificação  de pecados (At 22.16; Ef 5.26), e da nova vida em Cristo (At 2.41; Rm 6.3). De quando em quando toda a família de um novo convertido era batizada (At 10.48; 16.33; 1Co 1.16), o que pode significar o desejo da pessoa de consagrar a Cristo tudo quanto tinha.

- Calendário Eclesiástico: O NT não apresenta evidência alguma de que a igreja primitiva observava quaisquer dias santos, a não ser sua adoração no primeiro dia da semana (At 20.7; 1Co 16.2; Ap 1.10). Os cristãos não observam o domingo como dia de descanso até ao quarto século de nossa era, quando o imperador Constantino designou-o como um dia santo para todo o Império Romano. Os primitivos cristãos não confundiam o domingo com o sábado judaico, e não faziam tentativa alguma para aplicar a ele a legislação referente ao sábado.
O historiador Eusébio diz-nos que os cristãos celebravam a Páscoa desde os tempos apostólicos; 1Co 5.6-8 talvez se refira a uma Páscoa cristã na mesma ocasião da Páscoa judaica. Por volta do ano 120 dC, a igreja de Roma mudou a celebração para o domingo após a Páscoa judaica enquanto a igreja Ortodoxa Oriental continuou a celebrá-la na Páscoa Judaica.

f) Conceito do NT sobre a Igreja.É interessante pesquisar vários conceitos de igreja no NT. A Bíblia refere-se aos primeiros cristãos como família e templo de Deus, como rebanho e noiva de Cristo, como sal, como fermento, como pescadores, como baluarte sustentador da verdade de Deus, de muitas outras maneiras. Pensava-se na igreja como uma comunidade mundial única de crentes, da qual cada congregação local era afloramento e amostra. Os primitivos escritores cristãos muitas vezes se referiam à igreja como o "corpo de Cristo" e o "novo Israel".  Esses dois conceitos revelam muito da compreensão que os primitivos cristãos tinha da sua missão no mundo.

- O Corpo de Cristo: Paulo descreve a igreja como "um só corpo em Cristo" (Rm 12.5) e "seu corpo" (Ef 1.23). Em outras palavras, a igreja encerra numa comunhão única de vida divina todos os que são unidos a Cristo pelo Espírito Santo mediante a fé. Esses participam da ressurreição  (Rm 6.8), e são a um tempo chamados e capacitados  para continuar seu ministério de servir e sofrer para abençoar a outros (1Co 12.14-26). Estão ligados numa comunidade que personifica o reino de Deus no mundo.
Pelo fato de estarem ligados a outros cristãos, essas pessoas entendiam que o que faziam com seus próprios corpos e capacidades era muito importante (Rm 12.1; 1Co 6.13-19; 2Co 5.10). Entendiam que as várias raças e classes tornam-se uma em Cristo (1Co 12.3; Ef  2.14-22), e deviam aceitar-se e amar-se uns aos outros de um modo que revelasse tal realidade.
Descrevendo a igreja com o corpo de Cristo, os primeiros cristãos acentuaram que Cristo era o cabeça da igreja (Ef 5.23). Ele orientava as ações da igreja e merecia todo o louvor que ela recebia. Todo o poder da igreja para adorar e servir era dom de Cristo.

- O Novo Israel: Os primitivos cristãos identificavam-se com Israel, povo escolhido de Deus. Acreditavam que a vinda e o ministério  de Jesus cumpriram a promessa de Deus aos patriarcas (Mt 2.6; Lc 1.68; At 5.31), e sustentavam que Deus havia estabelecido uma Nova Aliança com os seguidores de Jesus (2Co 3.6; Hb 7.22, 9.15).
Deus, sustentavam eles, havia estabelecido seu novo Israel na base da salvação pessoal, e não  em linhagem de família. Sua igreja era uma nação espiritual que transcendia a todas as heranças culturais e nacionais. Quem quer que depositasse fé na Nova Aliança de Deus, rendesse a vida a Cristo, tornava-se descendente espiritual de Abraão e, como tal, passava a fazer parte do "novo Israel" (Mt 8.11; Lc 13.28-30; Rm 4.9-25; Gl 3-4; Hb 11-12).

-Características Comuns: Algumas qualidades comuns emergem das muitas imagens da igreja que encontramos no NT. Todas elas mostram que a igreja existe porque Deus trouxe à existência. Cristo comissionou seus seguidores a levar avante a sua obra, e essa é a razão da existência da igreja.
As várias imagens que o NT apresenta da igreja acentuam que o Espírito Santo a dota de poder e determina a sua direção. Os membros da igreja participam de uma tarefa comum e de um destino comum sob a orientação do Espírito.
A igreja é uma entidade viva e ativa. Ela participa dos negócios deste mundo; demonstra o modo de vida que Deus tenciona para todas as pessoas, e proclamam a Palavra de Deus para a era presente. A unidade e a pureza espirituais da igreja estão em nítido contraste com a inimizade e a corrupção do mundo. É responsabilidade da igreja em todas as congregações particulares mediante as quais ela se torna visível, praticar a unidade, o amor e  cuidado de um modo que mostre que Cristo vive verdadeiramente naqueles que são membros do seu corpo, de sorte que a vida deles é a vida de Cristo neles. 


Fonte: O Mundo do Novo Testamento - Editora Vida

Cristologia

Humanidade

Jesus viveu como homem, e sua vida foi descrita por biografias de pessoas que conviveram com ele e registraram suas experiências e doutrinas. Existem muitas doutrinas sobre a pessoa de Jesus, muitas destas começaram nos primeiros séculos que serão tratadas em um capítulo aparte, pois o enfoque principal deste livro é apenas descrever o que está registrado na Bíblia.

 

Vida natural humana

Fatores que indicam a humanidade de Jesus:
Jesus está na lista das genealogias humanas (Mateus 1.1-16, Lucas 2.23-38);
Seu nascimento foi normal e humano (Mateus 1.25, Lucas 2.7);
Seu crescimento e desenvolvimento foram normais (Lucas 2.40-52);
Ele esteve sujeito a limitações físicas como o cansaço (João 4.6), fome (Mateus 21.18) e sede (Mateus 11.19);
Experimentou as emoções humanas: alegria (Lucas 10.21), tristeza Mateus 26.37), amor (João 11.5), compaixão (Mateus 9.36), surpresa (Lucas 7.9), ira (Marcos 3.5);
Foi morto nas mãos dos homens (Lucas 22.44, João 19.33).

 

Vida religiosa

Sua vida religiosa demonstra sua condição humana:
Jesus participou da adoração pública (Lucas 4.16);
Estudou, meditou e explicou as escrituras (Mateus 4.4, Mateus 19.4, Lucas 2.46, Lucas 24.27);
Orava publicamente (Lucas 3.21), e individualmente, às vezes durante toda a noite (Lucas 6.12);
Ele foi submisso e dependente ao Pai que o enviara (João 6.3,8, João 12.49).

 

Conhecimento das escrituras

Jesus demonstrou conhecimento superior aos homens (João 1.47, João 4.29, Lucas 6.8, Lucas 9.47), e compreendia as escrituras de modo singular (Mateus 22.29, Mateus 26.54,56).





                                                                                                                         Tentação

Cristo foi tentado como nós, mas nunca pecou (Hebreus 4.15). Neste ponto podem surgir duas objeções:
1. As tentações de Cristo podem não ter sido reais, porque ele não tinha natureza pecadora como nós. A resposta a esta objeção é que os puros também sofrem tentações, assim como Adão e os anjos.
2. Cristo não podia pecar devido a sua natureza sem pecado. Respondemos dizendo que é preciso considerar a intensidade das tentações. Em nosso caso, Deus filtra as tentações antes que elas cheguem até nós (1 Coríntios 10.13). Qual teria sido a medida da intensidade da tentação que Deus permitiu para o seu filho? (Mateus 4.4, Lucas 22.44) O fato dele ser tentado como nós revela que Cristo tinha nossa natureza.

]Vida sem pecado

É preciso ressaltar que Jesus Cristo, embora humano, estava livre da depravação moral provocada pela queda (Hebreus 4.15, Hebreus 7.26, 2 Coríntios 5.21) e de qualquer transgressão pessoal. Ele foi um ser humano sui generis, quer dizer, único no gênero.
Portanto, segundo a Bíblia, não há dúvida de que Cristo era de natureza humana, como nós, mas com a diferença de que ele não tinha a natureza corrupta que nós temos, nem praticou qualquer pecado em toda sua vida.

]Divindade

A divindade de Cristo revelada na Bíblia lhe confere atributos divinos, de acordo com os seguintes elementos:

                                                                                                                                   Aspectos miraculosos

Cristo foi em sua vida e sua obra envolvido por tantos fatos miraculosos que não se pode negar que ele estava acima da categoria humana, pois nenhum outro homem foi como ele nesses aspectos. Sua geração foi sobrenatural conforme Lucas 1.34.35, demonstrou poder sobre a natureza, sobre o corpo e a vida de pessoas, sobre seres espirituais, tudo isto revela autoridade divina.

                                                                                                                              Consciência de sua divindade

O próprio Cristo revela sua consciência de divindade ao se igualar ao Pai na vida (João 5.26), na honra (João 5.23), na glória (João 17.5), na eternidade (João 8.58), no nome (João 8.24), na fórmula batismal (Mateus 28.19). Ele declara sua união com o Pai (João 5.18, (João 10.33,38).

                                                                                                                      Prerrogativas divinas

Jesus exerceu atribuições que só cabem a divindade, como a autoridade de perdoar pecados (Marcos 2.10), para alterar a lei de Deus (Mateus 5.21), autoridade sobre o sábado (Marcos 2.28), sobre a vida de pessoas (Mateus 16.24-26), salvar pessoas de seus pecados e suas conseqüências (Mateus 1.21, João 8.34-36). Isto demonstra sua autoridade divina.

                                                                                                                Testemunho dos apóstolos

Aqueles que conviveram com Jesus ficaram encarregados de testemunhar sobre sua vida e seu ensino. Estes revelam sua divindade em João 1.1, Romanos 9.5, Tito 2.13, Hebreus 1.8, 1 João 5.20. Portanto, conforme seus relatos registrados na Bíblia, Jesus tinha não só a natureza humana, mas também a divina.

                                                                                      União das duas naturezas

Como pode uma só pessoa ser humana e divina? Como explicar este mistério?
Não basta considerar que Cristo é humano e divino, é preciso pensar também como que as duas naturezas se relacionavam em Cristo.

                                                                                                                                    Elementos fundamentais da união

Vamos considerar alguns elementos fundamentais que ajudam a entender um pouco desse mistério:
1. Imagem de Deus no homem. A imagem e semelhança do homem com Deus propiciam a base da união do divino com o humano na pessoa de Cristo. Há algo em comum entre Deus e o homem que tornou possível a união das duas naturezas em Cristo.
2. A encarnação de Cristo. A encarnação foi o mistério da união. Como para Deus não há impossível, ele decidiu se aproximar do homem vivendo entre os homens (João 1), e resgatar a humanidade assumindo ele mesmo a culpa pela humanidade falhar nas alianças Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, assumindo assim uma nova aliança.
3. O perfeito mediador. Como representante de Deus para os homens e dos homens para Deus, Cristo se tornou o perfeito mediador pois vive as duas naturezas em uma só pessoa (1 Timóteo 2.5, 1 João 2.2, Efésios 2.16-18). Este é o maior efeito da união, pois o homem sempre criou mediadores, e Deus tornou-se seu mediador com os homens. (Hebreus 7.24-28).

                                                                                                 Ofícios

No Antigo Testamento havia três ofícios ou funções fundamentais na vida do povo de Deus: o de profeta, o de sacerdote e o de rei. Esses ofícios eram exercidos por homens escolhidos, ungidos e investidos na função. As pessoas que ocupavam estas funções cumpriam um papel muito importante para a vida do indivíduo e do povo na sua relação com Deus. Deu um modo geral, por estes ofícios, o povo ouvia (através do profeta), fazia-se representar diante de Deus (pelo sacerdote) e tinha o governo político (do rei). Em Cristo, os três ofícios foram reunidos e ele mesmo é o profeta, o sacerdote e o rei. Assim ele é um mediador completo e perfeito.

                                                                                                                                  Profeta

O trabalho do profeta no Antigo Testamento era falar em nome de Deus. Ele interpretava os atos e os planos de Deus para os homens e orientava o povo nos caminhos traçados por Deus. Desta forma ele era um representante de Deus para o povo.
Cristo foi verdadeiro profeta, anunciado desde Moisés (Dt 18.15). Os que creram em Jesus Cristo reconheceram ser ele o profeta que devia vir ao mundo (Jo 6.14, At 3.22). Ele revelou Deus e a sua vontade, não apenas com palavras, mas também em pessoa e obras (Hb 1.3). Sua revelação do Pai é final na história da humanidade (Hb 1.1 ss).
Cristo realizou seu trabalho profético em diferentes épocas. De modo direto e pessoal, ele cumpriu sua função profética no período da vida terrena. Mas na preexistência, de modo indireto, ele exerceu a função de profeta, falando através de mensageiros, humanos ou angelicais (Jo 1.9; 1Pe 1.11). Também depois da ascensão, ele falou pelo Espírito Santo os apóstolos (Jo 16.12,13,25; Jo 17.26). E parece na glória ele continuará revelando as coisas do Pai aos santos (1Co 13.12).

                                                                                                                            Sacerdote

O livro de Hebreus descreve bem o exercício do ofício sacerdotal de Cristo. No Antigo Testamento                                                          o sacerdote era uma pessoa divinamente escolhida e consagrada para representar os homens diante de Deus e oferecer dons e sacrifícios que assegurassem o favor divino, e ainda para interceder pelo povo (Hb 5.4; 8.3). Mas o serviço era feito com imperfeição, quer pela fraqueza do sacerdote, quer pelo tipo de sacrifício que era oferecido.
Cristo realizou um sacerdócio perfeito. As duas naturezas, humana e divina, unidas nele, o seu caráter puro e o sacrifício de si mesmo tornam o seu sacerdócio ideal e perfeito diante de Deus. O seu trabalho sacrificial foi consumado, historicamente, na cruz (Hb 10.12,14). Seu sacrifício foi único e de valor eterno, portanto, suficiente para a redenção da humanidade, sem que haja a necessidade de qualquer outro sacrifício por parte dos homens (Hb 10.10). Seu trabalho de intercessão foi realizado quando ele esteve na terra (Jo 17); porém, foi depois de oferecer o seu sacrifício que ele passou a exercer, especificamente, esse ministério de intercessão (Hb 7.25; 9.24). A base da sua intercessão é o seu sacrifício (1Jo 2.1,2).

                                                                                                                                     Rei

Os profetas do Antigo Testamento falaram de um rei que viria da casa de Davi, para governar Israel e as  nações, com justiça, paz e prosperidade (Is 11.1-9). O anjo disse a Maria que Jesus seria esse rei (Lc 1.32,33). Cristo mesmo afirmou que era esse rei prometido (Jo 18.36,37). Depois da sua ressurreição, ele declarou seu poder sobre todas as coisas (Mt 28.18). Na sua ascensão, ele foi coroado e entronizado como rei (Ef 1.20-22; Ap 3.21). Jesus Cristo é rei, e já está reinando, porém, não ainda de modo visível aos olhos humanos (Hb 2.8), nem de modo pleno (1Co 15.25-28; Hb 10.13). Mas um dia Cristo estará reinando à vista de todo mundo (Ap 11.15).
O reino de Cristo no presente se mostra na vida das pessoas que a ele se entregam, e nas igrejas, que são as comunidades de seus discípulos. Trata-se, no presente, de um reino espiritual, no coração e na vida dos que nele crêem (Jo 18.36). Porém, um dia o reino de Cristo se mostrará em toda sua plenitude na vida e no mundo, com "novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça" (2Pe 3.13).

                                                                                            O sacrifício

Dentro do ofício sacerdotal de Cristo está sua obra sacrificial. Qual o significado da morte de Cristo? O que de fato aconteceu quando o filho de Deus morreu? Interpretações neste sentido têm sido dadas no decorrer da história. Algumas são errôneas, outras apresentam aspectos bíblicos da expiação. É preciso considerar todas elas e reunir vários aspectos bíblicos que elas apresentam para se ter uma compreensão melhor do significado da obra de Cristo na cruz.

                                                                                                                         O resgate

A idéia do resgate implica num preço pago. A Bíblia ensina que o sangue de Cristo serviu de resgate, isto é, foi um preço pago pela nossa redenção (Mc 10.45; 1Co 6.20; 1Tm 2.6; 2Pe 2.1). No princípio do cristianismo discutiu-se sobre a quem teria sido pago o preço. Alguns pais da igreja entenderam que o preço teria sido oferecido ao diabo, para resgatar os homens cativos de Satanás, mas, ao final, Cristo teria surpreendido o inimigo, ressuscitando dentre os mortos, e derrotando o diabo. Mas esta idéia do preço pago ao diabo é errônea. Não parece razoável nem bíblico que o sacrifício tenha sido oferecido a Satanás. Este não adquiriu nenhum direito sobre a humanidade, e a Bíblia não fala de nenhuma transação que Deus tenha feito com o diabo. Certamente, o preço do resgate foi oferecido ao próprio Deus. Foi Deus que, pela sua justiça e santidade, sujeitou o pecador ao domínio e conseqüências do pecado, obras do diabo, de cujo cativeiro Cristo nos resgatou (Hb 2.14,15). Então, Cristo nos resgatou do cativeiro do pecado e do diabo, a que estávamos entregues pela justiça divina (Rm 1.24,26,28).

                                                                                                    A ressurreição

A ressurreição de Cristo:
testifica sua divindade (Rm 1.4),
proclama sua vitória sobre o pecado (Hb 9.28),
sobre os poderes das trevas (Ef 1.20,21),
sobre a morte (2Tm 1.10),
assegura a eficácia de sua obra redentora (Rm 4.25; 8,33,34; 1Pe 1.3; 1Co15.15-19),
evidencia a realidade de seu reino futuro, mostra-se como as primícias da colheita futura, que é a ressurreição, o princípio da nova criação (1 Co 15.20-26; 2Co 5.17; 2Pe 3.13; Ap 21.22).
Na ressurreição de Cristo emerge uma nova ordem de existência neste mundo que há de consumar-se na glória do mundo vindouro. Pela ressurreição, Cristo Jesus se torna "esperança nossa" (1Tm 1.1).


Alfabeto hebraico

O alfabeto hebraico, também conhecido como Alef-Beit, é o utilizado para escrever o hebraico, que é uma língua semítica pertencente à família das línguas afro-asiáticas, mais falada em Israel.

Também é utilizado para escrever o Jiddisch, dialecto alemão falado pelos judeus da Europa Oriental e da Alemanha.
Assim como no alfabeto árabe, no hebraico os textos são escritos da direita para a esquerda.
O alfabeto hebraico é composto de 22 letras. Há quatro escritas hebraicas usadas actualmente:
  • o alfabeto padrão impresso,
  • o alfabeto caligráfico.
  • a Escrita Rashi
  • e a Escrita Ashurita (usada nos Rolos de Torá escritos, tefilin, mezuzot e meguilot).
Alef
Bet
Guimel
Dalet
Hê
Vav
Zayin
Chet
Tet
Yud
Caf
Lamed
Mem
Nun
Samech
Ayin
Pê
Tsadic
Cuf
Resh
Shin
Tav
Hebraico

Alfabeto hebraico
O hebraico (Ivrit) é uma língua semítica pertencente à família das línguas afro-asiáticas. A Torá, que os crentes judeus ortodoxos consideram ter sido escrita na época de Moisés, foi redigida no hebraico dito "clássico".
Embora hoje em dia seja uma escrita impronunciável, portanto indecifrável, devido à não-existência de vogais no alfabeto hebraico clássico, os judeus têm-na sempre chamado de Lashon haKodesh ("A Língua Sagrada").
Por volta da primeira destruição de Jerusalém pelos Bbilónios em 586 a.C., o hebraico clássico foi substituído no uso diário pelo aramaico, tornando-se primariamente uma língua franca regional, tanto usada na liturgia, no estudo do Mishná (parte do Talmude) como também no comércio.
O hebraico renasceu como língua falada no final do século XIX / começo do século XX como o hebraico moderno, adoptando alguns elementos do árabe, ladino, Jiddisch, e outras línguas que acompanharam a Diáspora Judaica como língua falada pela maioria dos habitantes do Estado de Israel.

A L F A B E T O H E B R A I C O